Educação não formal: o potencial para educação ambiental de parques e museus.

Estamos em agosto, e quem não foi durante as férias em um parque, aquário, museu, jardim botânico ou zoológico com alguma criança (ou sem, podem confessar…rsrsrs). A verdade é que em tempos de urbanização, ir a um local como estes pode nos trazer uma pausa na correria e nos reconectar com a natureza.

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Passeio no Orquidário Municipal de Santos (foto por Diley Gomes,2017)

Muitos já concordam que parques e museus tem um potencial grande para atrair a curiosidade dos visitantes, que buscam lazer e alguma atividade diferente de ficar conectado na rede virtual ou andando por centros comerciais. Mas parques e museus tem também um grande potencial para a educação não formal, aquela que produz aprendizado de conteúdos da escolarização formal, porém em espaços não formais, de forma lúdica. Para Vieira et al (2005) estes ambientes podem ser úteis na educação de conteúdos suprindo carências que a escola venha a ter de laboratórios e recursos audiovisuais, que segundo os autores são importantes para estimular e fixar o aprendizado.

Nos estudos de Soga e Gaston (2016) seus resultados demonstraram que as crianças desta geração gastam menos tempo em experiências que envolvam a natureza ao ar livre se comparadas com crianças das gerações anteriores. Segundo os pesquisadores esta queda na experiência diária com a natureza não apenas pode diminuir os benefícios relacionados à saúde e ao bem-estar humano, mas também estaria ligado a desencorajar emoções, atitudes e comportamentos positivos em relação ao meio ambiente, o que poderia levar a um ciclo de descontentamento com a natureza. Quantas crianças hoje tem contato com a fonte do alimento que está em suas mesas? Esta geração “desconectada da natureza” pode se tornar a geração menos consciente de suas responsabilidades de cuidar e preservar o meio ambiente, por simplesmente não ter “memória afetiva” com a natureza como as gerações anteriores. Por isso pode se afirmar que os “espaços verdes” em meio ao meio urbano são tão importantes para a educação ambiental de nossas crianças.

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Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2016)

Neste ano iniciei um mestrado em ecologia, com foco em biodiversidade. Pensando que a educação ambiental eficiente seria um instrumento para a conscientização da importância da preservação da biodiversidade, passei a aprofundar o questionamento do uso dos parques e museus da cidade em que vivo para este fim. Embora sejam espaços com potencial para realizar ações de educação ambiental não formal, estariam eles sendo eficientes em suas exposições e abordagens? Certamente outros pesquisadores concordam que é necessário rever muitos conceitos e realizar uma análise profunda desses espaços e de seus conteúdos, assim como de como tem sido apresentado para os visitantes, se o assunto biodiversidade e conscientização ambiental estão sendo colocados de forma clara e se as exposições realmente ajudam no aproveitamento do aprendizado não formal.

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Visita ao Orquidário Municipal de Santos (2017)

Sendo assim realizei algumas visitas, com o intuito de avaliar estes espaços na cidade de Santos/SP, no primeiro semestre de 2017, e os resultados foram reunidos e publicados em um artigo que acabou de sair. Convido a ler e fomentarmos essa discussão: os parques e museus ajudam na educação ambiental? Seria melhor levar as pessoas para o habitat natural? Como as exposições poderiam ser mais eficientes e alcançar o público, trazendo um resultado positivo na conscientização ambiental de adultos e crianças?

Este é nosso artigo: SANTOS, Sílvia Lima Oliveira dos; GIORDANO, Fabio. Educação ambiental não formal: os parques e museus de Santos – SP. UNISANTA Bioscience Vol. 6 nº 3 (2017) p. 172-187. Disponível em: <http://periodicos.unisanta.br/index.php/bio/article/view/815/896&gt;

Nossos parques, jardins e museus podem reconectar a nova geração com a natureza e gerar percepção ambiental, consciência verde e preservação da biodiversidade. Não pode haver um futuro sustentável sem pessoas educadas para preservar, que se importem com o planeta que habitamos. Vamos fomentar essas sementes de educação ambiental. Leia, curta e compartilhe!

Referências citadas:

VIEIRA, Valéria; BIANCONI, M. Lucia; DIAS, Monique. Espaços não-formais de ensino e o currículo de ciências. Cienc. Cult.,  São Paulo,  v. 57,  n. 4, Dec.  2005 .   Disponível em:  <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252005000400014 &lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 de jun. 2016.

SOGA, Masashi; GASTON, Kevin J. Extinction of experience: the loss of human–nature interactions. Frontiers in Ecology Environ (2016) Vol 14(2). P. 94–101, doi:10.1002/fee.1225

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