Superando o medo

Muitos não sabem, mas eu faço natação há algum tempo, não somente pelos benefícios para a saúde ou para perder peso, mas porque foi um alvo de superação para mim. A verdade é que tive uma experiência traumática quando eu era criança, eu quase me afoguei na praia, no raso, e fiquei com muito medo de entrar na água novamente, fosse no mar ou piscina, e muitas vezes a fobia também se manifestava na hora de lavar o cabelo. Só quem já passou por um afogamento sabe como é essa sensação. Um pavor que toma conta de você, te faz entrar em desespero e perder totalmente o controle da situação. Você se torna refém deste medo, desta monstruosidade que sua mente cria, seja ela verdadeira ou não, e você paralisa.

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Foi somente há alguns anos atrás, quando entrei em contato com as técnicas de coaching, que decidi acabar com as crenças limitantes e superar meu medo de nadar. Não foi nada fácil, foi bem difícil na verdade, pois o primeiro professor que eu tive não ajudou em nada: ele não foi gentil, não teve sensibilidade para lidar com meu trauma. Eu passei meses indo para a natação e usando uma boia amarrada no corpo. Imaginem a cena, uma mulher de vinte e poucos anos com uma boia amarrada. Pois é, eu “paguei mico”, mas eu não desisti, os professores mudaram e finalmente tive uma professora maravilhosa, a Érica, muito sensível e carinhosa que me ajudou e muito! Sim, eu venci a batalha contra o medo, eu aprendi a nadar sem boia, e já conseguia fazer uma marca de 1.500 m em uma hora! Para quem nada isso não é nada, mas para mim é a prova da superação e de que qualquer crença limitante pode ser quebrada.

A história não acaba aqui, não estou escrevendo nenhum conto de fadas, nenhum romance fictício, onde os personagens são “felizes para sempre” é da vida real que estamos falando. Vencer o medo não é apagar esse trauma da sua vida, é superar a lembrança traumática e conviver com ela de forma que já não te paralise. Mas, o medo volta, quando olhamos demais para a situação ao redor, perdemos a confiança, lembramos que não temos o controle e caímos novamente. Lembrei de Pedro, que estava andando sobre as águas confiadamente, mas foi só sentir o vento no rosto e ver as ondas que ele lembrou: “Opa, isso não é normal, eu estou andando em cima da água, eu posso afundar a qualquer momento…” e foi aí que ele começou a afundar. (“Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: ‘Senhor, salva-me! ’” Mateus 14:30). Eu sei bem como é isso. Eu quase me afoguei novamente há alguns anos atrás, durante uma aula errei a respiração e me descontrolei, fiquei um tempo na piscina me debatendo, estava muito cheia e não conseguia alcançar o chão com os pés (sou baixinha mesmo). A professora correu para a borda e começou a gritar, não lembro o que, mas me fez pensar: “eu estou em uma aula, eu sei nadar, eu não sou uma garotinha se afogando no mar, eu consigo boiar, eu posso sair dessa…” E foi assim que me acalmei e consegui me controlar, passei a boiar, consegui respirar e nadei até a borda.

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Este ano eu voltei a nadar, finalmente fui liberada pelo médico para fazer algumas atividades, após uma lesão no joelho, sendo a natação uma delas, por ter menos impacto na articulação. Atualmente eu amo nadar, estar debaixo da água, ouvindo somente o barulho da movimentação do seu corpo submerso. (“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. ” 1 João 4:18). Geralmente utilizo este tempo para meditar, refletir, repassar ideias mentalmente. Meus dias mais produtivos são quando faço natação, ou quando corria, pois, embora meu corpo esteja atento aos movimentos, e eu esteja consciente das ações dos meus membros, meu cérebro está livre para trabalhar, criar, gerar coisas novas. Além disso, gosto da solidão nestes momentos, não poder falar ou estar em meio ao barulho suave da natureza me desperta os sentidos e eleva meus pensamentos. Não gosto de academia exatamente por isso, sou um tanto quanto antissocial, e as músicas altas, pessoas falando, conversinhas, atrapalham minha atividade cerebral criativa.

Mas o que quero falar aqui neste artigo é sobre superar o medo. Sobre não deixar que o medo sabote você. Hoje quando cheguei na aula a piscina estava muito cheia, a água estava na borda. Já pensei: “Meu Deus, hoje eu não consigo parar e ficar em pé na piscina, se acontecer algo tenho que continuar nadando”. Aí, quando fui entrar vi que tinha muitos insetos e assim que entrei tinha uma baratinha nadando do meu lado. Esse é outro medo que preciso superar todos os dias: barata. Já tive pavor, ao ponto de me desesperar, mas agora até consigo matar. Mas hoje aquela baratinha me desestabilizou… E se ela subisse em mim? Então já entrei na piscina com a confiança abalada, com medo mesmo sabe? E não deu outra: no meio dos 300 m, ainda fazendo aquecimento perdi o controle de novo e quase me afoguei. Foram apenas alguns segundos, afundando e me debatendo, mas aquelas lembranças traumáticas paralisaram meu raciocínio novamente e eu esqueci que sabia nadar. As crenças limitantes sempre vão tentar vir à tona, se você já entrar na luta com medo de perder, seu fracasso aconteceu antes mesmo de começar. Depois que consegui me tranquilizar e voltar a boiar, ficar respirando até meu batimento normalizar e conseguir nadar até a borda, depois que estava lá em segurança na borda lembrei de Jó e sua célebre frase: “Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu. ” (Jó 3:25). Até porque, a ‘bendita’ barata também achou um jeito de subir no meu braço, sim, eu consegui atrair tudo o que eu não queria hoje.

Depois disso tudo passei 800 m nadando e pensando na lição que aprendi: a insegurança atrai o fracasso. O medo de algo te leva a viver aquilo que você teme. Alguém que entra em um relacionamento com medo de ser traído, mal-amado ou abandonado, já está condenando seu relacionamento. Alguém que vai para uma prova ou entrevista com medo de não ser selecionado provavelmente não vai ser bem-sucedido nesta empreitada. Começar um curso ou uma faculdade com medo de não conseguir completar, é quase a mesma coisa que assinar sua desistência. A insegurança e o medo limitam nossas habilidades, enfrentar a situação olhando para o que pode acontecer de errado te leva ao fracasso, pois dá lugar na sua mente para as crenças limitantes que distorcem nossa visão e criam gigantes intransponíveis. Quer vencer algo? Se livre do medo, diga não para a insegurança e passe a olhar o que há de bom na situação: as ondas são altas e o vento está batendo? Jesus está com você sobre as águas. Sua família é tão abençoada que você tem medo de perder tudo isso? Creia que mesmo na morte, na dor e na perda, Deus tem restituição e renovação para você. A piscina está cheia até a borda? Aproveite para melhorar sua habilidade e criar resistência. Tudo é questão de perspectiva, você escolhe como vai encarar, e nessa escolha determina como serão seus resultados. Escolha superar o medo hoje!

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By Silvinha Santos

Fontes das Imagens:

http://negocioseoportunidades.net/medo-e-o-grande-vilao/

https://pensador.uol.com.br/ e Google imagens

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O caminho para o aprendizado: livros x experiências

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Imagine este cenário: você vai fazer uma cirurgia cardíaca, o médico entra e diz: “Olá, você pode relaxar e confiar, eu li vários livros sobre esse tipo de cirurgia, tenho certeza de que posso fazer isso”. Você permaneceria calmo e confiaria sua vida na mão deste doutor? O processo de aprendizagem é complexo e exige não só receber o conhecimento dos livros, mas também é importante praticar, aprender com suas próprias experiências.

Enquanto o conhecimento vindo dos livros é mais técnico, receber o conhecimento através da experiência é prático. Quando alguém está aprendendo habilidades profissionais é importante ter uma introdução ao assunto, mas praticar o conhecimento adquirido é fundamental. A suposta cena do início é um bom exemplo, porque no meio profissional a experiência significa confiabilidade. É por isso que estágios e residências são formas eficazes de um aluno colocar em prática seus conhecimentos.

Quando você lê um livro, você recebe várias informações importantes e específicas sobre um determinado assunto. Por outro lado, quando você pratica o que está aprendendo, pode fixar em sua mente toda essa informação. É essencial ter vocabulário profissional, o que é certo que você vai obter através da literatura, mas quando você está na área profissional, você não apenas vai falar sobre um assunto, será necessário que você saiba como fazer.

É importante dizer que os livros são grandes fontes para conhecer como as outras pessoas veem algo, e eles contém muitos exemplos para lhe mostrar um caminho, dar um norte aos estudos. No entanto, quando você aprende com suas próprias experiências, você está construindo seu próprio conhecimento e está criando um novo caminho. Pesquisando em um livro, você vai encontrar diferentes pontos de vista, vários exemplos, grande quantidade de informações essenciais para construir o seu conhecimento. No entanto, tendo suas próprias experiências será mais fácil entender tudo o que você leu.

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O conhecimento adquirido dos livros é técnico, é abundante em detalhes e vocabulário específico, contém conhecimentos e experiências de outros para ilustrar algum ponto de vista, enquanto que o conhecimento adquirido pela experiência é mais prático, ajuda a fixar o aprendizado e trazer novas ideias, e abre um caminho para construir seu próprio rascunho de experiências. Neste ponto, podemos concluir que o conhecimento dos livros é significativo, mas ter sua própria experiência é fundamental para completar o processo de aprendizagem e isso pode reforçar o conhecimento técnico.

“A experiência acumulada nos livros, embora frequentemente valiosa, não é mais do que a natureza do aprendizado, enquanto que a experiência adquirida com a vida real é a natureza da sabedoria” ― Samuel Smiles

The learning path: books x experiences

Imagine this scenario: you are going to do a heart surgery, the doctor enters and says: “Hello, you can relax and trust, I have read several books about this kind of surgery, I am sure that I can do it.” Would you stay calm and trust your life in this doctor hand? The process of learning is complex and demands not only receive knowledge from books, but also it is important to practice and to learn with your own experiences.

While the knowledge from books is more technical, the knowledge from experience is practical. When someone is learning professional skills is important to receive the introduction to the subject, but to practice the skills is fundamental. The supposed scene from the beginning is very common because in the professional field experience means reliability. This is why internships, trainees and residences are effective ways for a student to put their knowledge into practice.

When you read a book, you receive several important and specific information about the subject. On the other hand, when you practice what you are learning you can fix better all that information. It is essential to have professional vocabulary, what is sure you can obtain in literature, but when you are inside the professional area, you are not only going to talk about the issue, you are supposed to know how to do.

It is important to say that books are great fonts to know how other people see something, and they have examples to give you a path. However, when you learn from your own experiences, you are building your own knowledge and you are creating a new path. Researching in a book, you are going to find different points of view, a several samples, huge quantity of essential information to build your knowledge. However, by making experiences on your own, it is easy to understand better all you have read.

The knowledge from books is technical, it is full of details and specific vocabulary and it contains other’s expertise and experiences to illustrate some point of view, while the knowledge from experience is more practical, it helps to fix the learning and to bring new ideas, and it opens a way to build your own draft of experiences. At this point, we can conclude that knowledge from books is significant, but to have your own experience is pivotal to complete the process of learning and this can reinforce the technical knowledge.